Missa marca o início da visitação-geral na Província Stella Matutina
A Província Stella Matutina, das missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), recebe a visitação das irmãs Miriam Altenhofen (coordenadora-geral da Congregação) e Kreti Sanhueza Vidal (conselheira-geral). A visitação foi aberta oficialmente com a celebração eucarística realizada neste domingo, 8 de fevereiro, no Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP. A liturgia foi presidida pelo Pe. Aguinaldo Barbosa da Silva e assistida pelo diácono Dener Klein, ambos missionários do Verbo Divino, e contou com a presença de várias irmãs.
Na celebração, Ir. Miriam partilhou uma reflexão baseada na passagem sobre “o sal da terra e a luz do mundo” (Mateus, 5,13-16). A íntegra do texto está abaixo.
Até o fim de março, as irmãs Miriam e Kreti passarão pelas comunidades de São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. Na programação também estão reuniões com o conselho da província, com as equipes administrativas e da Rede de Educação, e as coordenadoras e ecônomas das comunidades. As visitadoras também participarão da Assembleia Provincial, entre os dias 11 e 13 de março.
As visitações-gerais são uma prática comum na vida das congregações religiosas. O objetivo principal é animar a caminhada e valorizar o espírito de comunhão entre as missionárias.
Íntegra da reflexão da Ir. Miriam Altenhofen na abertura da visitação-geral
“Vós sois a luz do mundo”
Às vezes, todos nós conhecemos esta experiência: você sobe ao sótão ou desce ao porão, talvez só por um momento, e, de repente, a luz se apaga. Instantaneamente, tudo muda. O que segundos antes parecia normal torna-se incerto. Você caminha devagar, estendendo as mãos, com medo de tropeçar. A escuridão nos desorienta. Faz até lugares familiares parecerem estranhos.
A luz muda tudo. Um simples interruptor, uma vela, um raio — e voltamos a respirar. Vemos onde estamos. Recuperamos a confiança.
Hoje Jesus nos diz algo surpreendente: “Vós sois a luz do mundo”. Não apenas “Eu sou a luz” — como Ele também diz no Evangelho de João — mas vós sois a luz. Isso é, ao mesmo tempo, dom e responsabilidade. Porque a luz que carregamos não é algo que produzimos por nós mesmos. É a luz dele. Nós a refletimos, como a Lua reflete o Sol. Quando a luz de Cristo toca nossa vida, ela não pode permanecer escondida. Naturalmente, começa a brilhar para fora.
E isso nos leva a uma pergunta importante: será que realmente nos permitimos experimentar essa luz em nosso próprio coração? Não apenas falar de fé, não somente praticar a religião externamente, mas deixamos que a sua luz alcance aqueles lugares interiores onde, às vezes, ainda há medo, dúvida, cansaço ou desânimo?
Somente quando experimentamos pessoalmente essa luz é que nos tornamos, de modo natural, luz para os outros.
Isso se conecta lindamente com o que São Paulo diz hoje aos Coríntios. Ele afirma que não veio com retórica brilhante, isto é, luminosa, nem com sabedoria impressionante. Veio na simplicidade, até na fraqueza, confiando no poder do Espírito de Deus. Por quê? Porque a fé não nasce de performances humanas deslumbrantes, mas do encontro com a presença viva de Deus — isto é, com a luz de Deus em nossos corações.
Em outras palavras, a luz não depende de quão perfeitas somos. Depende de quão abertas somos.
E então o profeta Isaías nos dá uma descrição muito concreta do que significa quando a luz de Deus realmente brilha através de alguém: partilhar o pão com quem tem fome, acolher os sem-teto, vestir os nus, aproximar-se de quem sofre. E Isaías diz: então tua luz romperá como a aurora.
A luz não é abstrata. Ela se torna visível na compaixão, na justiça, na ternura e na solidariedade. Onde alguém é visto, respeitado, erguido, ali a luz já está presente. Tornamo-nos luz em sentido duplo.
Sabemos quanta escuridão existe hoje: desânimo, violência, solidão, incerteza quanto ao futuro. Às vezes, até em nossos próprios corações ou comunidades, podemos perceber sombras e trevas. É fácil reclamar da escuridão. Muito mais difícil — mas muito mais cristão — é levar luz.
E, muitas vezes, não é preciso muito:
-
-
- um ouvido atento quando alguém se sente só;
- uma palavra de encorajamento em vez de crítica;
- paciência onde crescem tensões;
- um pequeno gesto de reconciliação;
- fidelidade silenciosa à nossa vocação, mesmo quando ninguém aplaude.
-
São pequenas luzes — mas de enorme importância.
Jesus nunca nos pediu que iluminássemos sozinhos o mundo inteiro. Ele simplesmente disse: deixai brilhar a vossa luz. Não a criar — deixá-la brilhar. Permitir que a presença dele em nós se torne visível.
Talvez esta Eucaristia de hoje seja precisamente esse momento de reconexão com a fonte da luz. Não viemos porque já brilhamos perfeitamente, mas porque precisamos novamente de sua luz. Recebemo-lo para que aquilo que levamos ao mundo não seja apenas nossa própria força, mas a vida dele dentro de nós.
E talvez possamos levar conosco, para os próximos dias, uma convicção simples: é sempre melhor acender uma pequena luz do que amaldiçoar a escuridão.
Como diz tão bem um canto em inglês: “É melhor acender uma pequena vela do que tropeçar na escuridão”.
Que Cristo, a verdadeira Luz, brilhe em nós, cure o que em nós está nas sombras e nos faça portadoras suaves de esperança onde quer que estejamos. Amém.
Ir. Miriam Altenhofen, SSpS